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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Retórica, Retórica e nada mais...


     Digo mesmo: não tinha o que fazer (mentira, tinha sim e muito) e decidi escrever isso para acabar com o juízo de vocês...

     Para TODA regra há uma exceção, não é mesmo?


    "Sim Emanuell, toda regra merece uma exceção porque algo sem flexibilidade não tem muito êxito. Principalmente na sociedade brasileira, que impera a REGRA do 'jeitinho', da 'amizade', do 'peixe' e por ai vai"

     "Sim Emanuell, toda regra merece exceção mesmo porque existe a necessidade de livrar certas pessoas que promovem a quebra de um regra por um bem maior e por ai vai"

     Muito bem, agora eu farei outras perguntas e quero que vocês pensem realmente se toda regra merece uma exceção, ou melhor, o que quero dizer não é o "merecimento", porque merecer, merece. Mas quero saber a partir da questão abaixo:

     Toda regra tem uma exceção, tudo bem? Agora, partindo da premissa que a frase "toda regra tem uma exceção" é uma regra, chegamos ao ponto que a regra que "toda regra tem uma exceção" também tem uma exceção, correto? (Não entendeu? releia, não passe daqui sem entender! kkk) Tendo essa exceção, significa que ALGUMA regra não terá exceção! Veja bem, se a regra "toda regra tem uma exceção" tiver uma exceção, significa que a própria regra é uma grande mentira! Então, será mesmo que "para toda regra tem um exceção"?

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Livre-se dessa pergunta: "O Srº já parou de bater na sua mulher?" Livre-se dela respondendo "sim" ou "não" e algum complemento e nada mais. Imagine que você está sob pressão, em um julgamento por exemplo e um promotor lhe pergunta isso e preste atenção que respondendo "sim" ou "não", estará ou dizendo que "bateu"  (sim) ou que ainda "bate" (não)...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Marx e o Fim do Direito

      Meus caros, comecei a escrever esse texto mesmo em novembro de 2009. Trata-se especificamente de um mini-curso proferido pelo Professor de Filosofia Pablo Capistrano ( www.pablocapistrano.com.br ) ao fim do Congresso de Iniciação Científica da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte - FARN. O mini-curso ocorreu no dia 16/11/09, tendo iniciado às 19h:30min. Até esse horário eu imaginava que algo bom sairia da cabeça de um dos homens mais sábios que conheço, mas não esperava que fosse rever parte da história da humanidade com uma rara imparcialidade e total maestria. Passamos pelo Nazismo, Capitalismo, Socialismo (Comunismo), Gregos, Oriente, Iluminismo, Revolução Russa entre tantas outras coisas do tipo e às 22h05min eu sai daquela sala com um gostinho, ou melhor, gostão de "quero mais". No mais, devo deixar claro que a inteligência aqui exposta neste texto nunca me pertenceu. Pertence, e aqui deixo os totais créditos, mais uma vez, ao Professor Pablo.
     Ademais, faz-se necessário esclarecer que o "fim" está no sentido de "não ter necessidade", isto é, não ter necessidade do Direito para a ordem social. Isso nos levanta  a idéia de ir "acabando" aos poucos. Ainda na introdução da "aula-curso", Pablo ia afirmando que Marx era "pop", uma vez que escrevia para as massas e afirmava também que existia uma crítica por parte também de Marx sobre filosofia antiga ou clássica (metafísica), uma vez que ela apenas se contentava em analisar e não mudar, não partir para a prática mesmo (Algo bem visível em Aristóteles).
     Por conseguinte, Hegel aparece no curso com o "pai filosófico" de Marx. Citando também uma célebre frase de Hegel que diz que "a humanidade caminha como os passos de um bêbado". A partir daqui entramos mesmo no assunto. Hegel vem afirmar que é necessário mudar primeiro a consciência do povo para fazer "la revolución", no entanto, Marx discorda de seu "pai" e afirma que é necessário primeiro mudar a economia/sociedade para poder mudar a consciência. E você, o que acha?
     A figura divina, ou seja, Deus, na obra de Marx é substituída pela história. A história é a senhora de tudo para ele (Heráclito: "A Guerra é senhora de tudo" - A guerra faz história, muda a história). Para tanto, Pablo apresentou a seguinte interpretação, muito interessante por sinal,

Moisés --> Marx
Povo --> Classe Operária
Terra Prometida --> Sociedade "prometida"

     Também nos mostra as idéias marxianas presentes muito antes na obra de Platão,

Platão --> Sociedade Utópica
Marx --> Sociedade Socialista

     Por arremate, e chegando ao ponto esperado do curso, aparece a afirmação que para Marx "ordem não é igual a Justiça". Isto é, não é igual ao Direito. Continuando, Marx liga a Anarquia ao Socialismo Utópico, uma vez que têm o mesmo norte, mas diferem no método para chegar até lá. A Anarquia cria um novo "mundo" pela destruição total do Estado, o Socialismo para se chegar ao novo "mundo" (Estado Comunista) apodera-se do Estado e o muda. Logo: 

Estado de Direito (Capistalista) --> Socialismo (intermediário) --> Estado Comunista (Direito Socialista)

     Algo interessante nesse Direito Socialista é que ele não pretende punir, mas sim reprogramar o indivíduo e o problema está em quem não se reprogramar: eliminação. É um argumento que eu particularmente uso contra o socialismo. Socialismo vem se apresentando cada vez mais como algo não democrático. As perguntas que ficam são: A democracia que defendo também é utópica? O Estado Socialista  realmente não deve ser democrático para poder alcançar o que deseja (Venezuela?)? Logo, "os fins justificariam os meios"? Será  que encontramos ai algo de Maquiavel no Socialismo? E Maquiavel e Marx são antagônicos meus caros (as perguntas são minhas, não foram apresentadas no curso). Ao fim do curso ainda perguntei: "Pablo, não faltou um pouco de leitura de Maquiavel por Marx? Ele responde: Se ele tivesse lido, não seria Marx".
     Terminamos com a discussão sobre a Revolução Russa. Marx defendia que a Revolução deveria ocorrer em um país industrializado e NUNCA em países "feudais", ou melhor, em países com esses resquícios. O problema meu leitores heróicos que chegaram até aqui, é que a Revolução da turma do charuto e da barba grande ocorreu na Rússia. Existe algo mais feudal que a Rússia do início do século XX? Ou seja, a Revolução Socialista deve quebrar o Estado a partir da sua indústria e a partir desse mesmo Estado já formado. Na Rússia, os meus camaradas tiveram, pásmen, que formar o Estado e sua respectiva Indústria para depois tentar destruí-los. Isto é, tiveram que estimular a produção para depois dizer que ela não fazia bem. Só que nesse ponto, "o cachorro já tinha mordido o osso" e tinha gostado. Essa é uma das milhões de explicação para o fracasso total do Estado Socialista Russo. As outras explicações são o cerco capitalista e a sobrevivência dos hábitos capitalista na população russa. Meus amigos, Pablo explicou que a Revolução Russa atropelou a história! Ela quis acabar com algo que nem formado estava.
     Quero, por fim, deixar uma pergunta fantástica. Partindo da premissa que ocorreu isso na Rússia, indago: Quem errou, a teoria de Marx ou a prática Russa? Se você acha que foi a prática Russa, levante da cadeira e comecemos a Revolução agora, ainda está em tempo. Caso contrário, você estará em consonância com o meu pensamento e, portanto, vote Dilma 2010! (O PT FOI socialista um dia, estamos mais para um social-democracia atualmente). Até mais...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

(I)Legalmente Constituído, (I)Legalmente Destituído

     Vamos 'hablar un poquito' sobre política? Yes, vamos sim. Mas sobre política da década de 60. Acho que todos que lêem regularmente esse blog não tinham nascido nessa época, mas deve saber que vivemos uma era de terror (para alguns segmentos da sociedade brasileira)a partir de 64 até 85. No entanto, não quero falar diretamente sobre a Ditadura Militar. Quero falar do que pode levar a um golpe, revolução, em resumo, a uma mudança governamental fora dos ditames "legais".
     Mas antes também é necessário discutir um pouco sobre o "errado e o certo". Afinal, os militares estavam certos ou errados ao produzirem o golpe com o apoio da Sociedade e Igreja Católica (nem todos) brasileiras? Para eles, era o absolutamente certo e para a sociedade mais crítica à época algo errado. O que quero afirmar é que os militares fizeram o que fizeram porque estavam fazendo realmente o que achavam certo, o problema é que fazer o que se acha que é certo, nem sempre é o certo a se fazer.
     Tenho que explicar melhor e vou usar coisas do dia a dia. Hoje a tarde quando acordei (sim, acordei às 14:00 horas) estava passando a novela "Alma Gêmea" em uma cena que a bad Cristina  tenta reaver o corpo do marido (Rafael) ainda vivo que fora sequestrado de sua casa. Vamos analisar o caso, a bad Cristina é legítima esposa de Rafael e tem todo direito de cuidar dele, no entanto, todos sabem (quem conhece a história) que ela quer, na verdade, matar o cara, logo sequestrar e escondê-lo dela é algo legítimo logicamente e ilegítimo juridicamente. Portanto, deixando a cultura televisiva de lado, o que quero analisar é que mesmo o que é legitimamente constituído, como o Governo de João Belchior Marques  Goulart, o famigerado "Jango", pode ser ilegalmente destituído para promover um "bem maior". Sim, meus amigos, estou defendendo sim que "os fins justificam os meios", mas não estou defendendo a Ditadura Militar em si. De jeito nenhum, eu seria a última pessoa a defender isso, apenas a usei como exemplo, exemplo infeliz, mas it´s done.
     No caso em questão, os militares realmente pensaram que estavam salvando o Brasil do "perigo comunista" e pensavam que um dia isso seria reconhecido e tal. Agora, por fim, quero atentar para o fato de atitudes "similares" tomadas diariamente. Pois bem, até onde é legítimo acabar com algo também "legítimo" para legitimar outra coisa mais legítima? E até onde isso que é  mais legítimo o é para todos, para toda a sociedade? Fica a problemática..não aguento mais escrever.