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domingo, 26 de setembro de 2010

Para que a "Ficha Limpa"?

     Sim, você deve estar se perguntando se eu estou doido ao perguntar isso. Mas não estou. Na verdade, estou em um momento de iluminação. 
     O país (infelizmente não foi o país todo, porque tem gente que nem disso está sabendo) parou nos últimos dias para acompanhar os comentários, votos, interpretações do tipo "triplo carpado hermenêutico" como diria o Min. Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal sobre a famigerada "LEI COMPLEMENTAR Nº 135, DE 4 DE JUNHO DE 2010 vulgo "Lei da Ficha Limpa".
     Lei de extrema importância para a hombridade e decência na política, mas que não pode ser vista como a literal salvação da pátria.
     Nossa sociedade precisa entender que a maior lei da ficha limpa que existe é o voto! Prova disso é que mesmo o candidato Joaquim Roriz, do Distrito Federal, estando impedido (e agora colocou a mulher no lugar, anulando todo o julgamento do STF), ainda tinha mais de 30% das intenções de voto. E eu perguntou: nosso povo quer mesmo decência? Nosso povo está mesmo preparado a perder seu cargo comissionado do tipo "não faço nada" pelo bem da máquina pública e sua respectiva eficiência? Nosso povo está apto a entender que antes de criticar o político, não podemos ser iguais a eles?
     Mês passado, tive minhas primeiras experiências em sala de aula e me deparei logo com uma pergunta muito interessante de um aluna, inclusive, com deficiência que não me recordo qual agora. Ela disse simplesmente: "professor, por que o político promete e não cumpre?"
     Aparenta ser uma pergunta simples, mas não é mesmo! E por isso eu respondi como gosto, com uma pergunta: "Você cumpre tudo que promete?" Ela respondeu: "não!". Ficou por ali pensativa enquanto eu dava  outras lições do tipo: "político não vem de Marte, vem, muitas vezes, da comunidade de vocês!". E por ai vai...
     Outro exemplo do problema vem da Paraíba. O ex-governador, Cássio Cunha Lima,  cassado pelo TSE, atualmente candidato ao Senado, também na mira da Ficha Limpa, está disparadamente na frente e agora usa o jargão: "estou sendo julgado e perdoado pelo povo". E o povo diz: "Cássio foi injustiçado, porque 7 votos valeram mais que milhões" (TSE tem 7 ministros). E então, como fica a situação?
     Em resumo, caro leitor que até aqui chegou no texto, clamo pela conscientização política em detrimento de depositar todas as nossas esperanças em um Tribunal, quando temos todo o poder originário nas mãos!
     Faz-se necessário uma mudança sócio-política na sociedade brasileira, para que comecemos a nos ver como uma sociedade, com um todo. Precisa-se deixar de lado o egoísmo social, o darwinismo social. Enquanto o voto estiver atrelado ao favor, ao presente, ao cargo, à amizade, à beleza, à retórica precisaremos de leis para obrigar acontecer aquilo que nós queremos, mas não agimos de forma coerente ao querer!