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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Muito além do preconceito: Um Real Depoimento sobre o Bolsa Família

Vivemos em uma época que uma jornalista de gosto e nome duvidosos discute a problemática da fome e do Bolsa Família em 0,58 segundos e é compartilhado como "a verdade".

Por fim, sou obrigado a mais uma vez tocar nesse tema, haja vista que mesmo todos os organismos nacionais e internacionais defendendo o programa, a elite brasileira criada no "leite e na pera" continua sem nada saber.

E volto a falar do tema porque me chega agora à noite um depoimento de um ex-aluno que MUITO me orgulha desde a sala de aula pela sede de conhecimento, luta contra o preconceito e vontade de vencer.

Depoimento que transcrevo abaixo:

(Transcrição do chat do facebook)

Ele: essa questão do bolsa família ta me estressando um bocado;

Eu: normal..muita desinformação por ai..

Ele: ñ professor
o foda disso tudo é q todo mundo acha q a solução pra tudo é o fim do bolsa família

Eu: exato.

Ele: ae a falação de merda é grande de mais!!!viram logo políticos e digo mais, presidentes!!!

Eu: pois é

Ele: mas no meu caso é mais perturbador pq eu fui um garoto q fui alimentado com esse dinheiro quando nem comida eu tinha na mesa
foi um programa q me deu dignidade de seguir meus estudos
embora a necessidade de largá-los fosse maior

Eu: Muito bacana seu depoimento..
e quando vocês não precisaram mais, deixaram na boa?

Ele: claro
pq logo q podemos eu e minhas irmãs começamos a trabalhar
hoje o meu sobrinho recebe o benefício, q é investido justamente nos seus estudos

Eu: Posso publicar esse relato sem citar nomes?

Ele: avontade
a vontade*
e mais...
minha irmã foi inserida no mercado de trabalho graças ao benefício
pois foi com esse dinheiro q minha mãe pagou um curso de informática básica e gráfica
acabando foi logo em busca de emprego e conseguiu graças a sua graduação
foi o primeiro emprego dela
onde ela ficou lá por 2 anos e 6 meses
e desde de lá sempre correndo atras !!!
hoje ta cursando educação física
e é técnica em nutrição de restaurante
e hoje ela e minha mãe contam sem vergonha alguma q tudo isso só foi possível pelo programa
depois de tudo isso, o cara ver um bando de moleque em idade e pensamento falando asneiras
é como se estivesse me agredindo

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Acho que nada mais preciso comentar. Fim.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Muito além do: "Mas você votou em Carlos Eduardo..." #RevoltadoBusao

Assustadíssimo!

Após a onda de revoltas e desilusões com o "Natal Conhece, Natal Confia", alguns seres iluminados pela escuridão da demência política questionaram o porquê das minhas críticas a Carlos Eduardo se eu tinha votado nele. Fiquei assustado mesmo.

De início deu raiva. Depois, pena.

A ausência de criticidade política gera uma pergunta dessa. É a política do: "Eu não posso 'perder' meu voto votando em quem PODE perder ou em quem não preste" (Quem votou em Micarla então...).

É a política do "se eu votei, tenho que defender até a última gota de sangue".

É a política do "se eu NÃO votei, devo criticar até sangrar...".

Não há distinção, é imbecilidade lá e cá.

Quero e preciso avisar a todos que eu tinha (tenho) candidato, o melhor candidato (até a oposição disso sabia), o nome dele era Fernando Mineiro! E você bocó que a mim chega para perguntar tamanha irracionalidade não deve ter votado nele...

E este meu candidato não foi para o segundo turno, e este candidato não ganhou portanto. E este candidato apoiou Carlos Eduardo (quando covardemente poderia lavar as mãos à la Marina Silva em 2010, jogando a presidência nas mãos de Serra) indo de encontro a muitos de seus eleitores. E este candidato votou pelo apoio e NÃO participação na administração que as trevas começam a tomar. Este candidato não tem cargos na prefeitura e nem interesse de ter. E por incrível que pareça é o mais criticado, quando foi o que menos quis...

A ideia era "Votar 12, pensando no 13" e não "Vote 12 e vire pelego"! Aproveito aqui para chamar o resto da Juventude do PT que literalmente SUMIU dos atos nas ruas. Quero crer que é o tempo mesmo...

Considerando isso, fui obrigado a votar em Carlos Eduardo sim. "Eu não quero ser obrigado a escolher a merda mais cheirosa". Desculpem, mas precisam sim!!! O voto nulo, dentre outras críticas, é deixar a merda mais cheirosa ou mais fedorenta ser escolhida do MESMO jeito. Enfim, cá não estou para falar disso.

Continuando, o que mais chama a atenção em quem assim pensa (?) é que a maioria votou em Hermano e usa desse subterfúgio (eu ter votado em Carlos Eduardo e depois criticá-lo) como motivo para dizer: "Você devia ter votado em Hermano".

BITCH, PLEASE!!! Come on baby...

Carlos Eduardo terá o mesmo tratamento que os membros do MEU partido têm: saiu da linha ou não entrou na linha, crítica justa!

Ademais, minhas críticas não se limitam ao aumento da passagem. Isso é o de menos. É o aumento indiscriminado, sem transparência, publicidade de gastos, lucros, prejuízos das empresas. É ver o SETURN brincar com a vida das pessoas gozando por canetas jurídicas e o prefeito dizer que "Roberta Sá é um bom programa pra hoje" no twitter, enquanto o mundo se acabava nas ruas. (veja AQUI a preocupação do prefeito).

É ver o SETURN usar uma concessão pública de uma forma plenamente drogada e prostituída pelo capital privado. Concessão é concessão. O Estado mais liberal não pode ver concessão como privatização. Concessão deve ser regulada milimetricamente.

A prefeitura deve mandar nas rotas, no preço, na qualidade. A prefeitura deve criar uma Empresa Municipal de Transporte Público para COMPETIR e nortear o sistema. Colocar em Empresa para rodar na madrugada etc. Fica essa deixa.

Por fim, "ah, mas você não votou em Mineiro...".


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Muito Além de Bombas e Tiros: #RevoltadoBusao

Este texto está muito além das bombas e tiros do dia 15 de maio de 2013 em Natal/RN, quando a Polícia Militar, por intermédio de seu Batalhão de Choque (que se choca com a democracia) e a Polícia Rodoviária Federal feriram de morte todo o Estado Democrático de Direito que pretendemos vivenciar desde 05 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, a constituição cidadã.

Este texto está muito além do valor de R$ 2,40.

Este texto está além da própria licitação que tanto almejamos.

Este texto procura ficar muito além do debate (ridículo) sobre o famigerado Direito de Ir e Vir: afinal, eu tenho o direito de ir e vir em qualquer protesto. E ai?


Este texto está muito além disso porque foca (ou tenta dentro das minhas capacidades cognitivas, que ontem coloquei em discussão, afinal, eu fui tratado como um rato) nas causas do problemas. O que se viu na sombria noite da quarta-feira em Natal são reverberações. São plantas robustas que outrora plantamos.

Somos capazes de grita "A CRFB permite o protesto", mas não somos capazes de sairmos de uma vez das sombras ditatoriais.


Portanto, de onde vêm essas reverberações? É o tema desse texto. Não podemos discutir o preço da passagem stricto sensu sem lembrar de dois temas centrais nesse caso: 

Financiamento privado de campanha política e Desmilitarização da Polícia 

A política brasileira é refém hoje do financiamento privado e a saída é o que está em discussão no país, inclusive com projeto de iniciativa popular, para implantar o Financiamento público de campanha gerando mais controle e mais equidade nas lutas legítimas pelo voto popular.

Isso provoca um fato simples: "eu te ajudei a ganhar, e tu me ajudas com a caneta na mão". É a própria prostituição política legitimada pelo nosso voto.

O outro ponto é acabar com o "eu sigo ordens". Os nazistas disseram isso demais (e dizem!).


A maioria dos profissionais da área de segurança defende o fim da integração com o Exército e o fim do regime militar nos quartéis das polícias de contato direto com o cidadão (digamos assim). É assim nas maiores democracias e é uma forma de diminuir abusos, atrocidades e irracionalidades.

O ser humano quando encurralado vira bicho em sua forma mais literal. O ser humano quando fardado e armado já é um bicho. A cena que eu vi ontem do policial correndo atrás dos manifestantes me assustou porque ele corria com o cacetete de uma forma  que me simbolizou a frase "vou matar o rato agora", isso tudo antes de bater em uma senhora, professora da UFRN e em uma adolescente da forma mais covarde possível com um chute direto na barriga. Como esse homens deitam e dormem com suas filhas no quarto ao lado eu ainda pretendo estudar.


Mas somos todos vítimas e agentes do sistema. Vi hoje diversos depoimentos (escondidos, claro) de PM´s contrários aos atos grotescos da repressão (repressão é uma palavra que me remete de imediato ao centro do Rio de Janeiro na década de 70 com a cavalaria batendo em estudante). Isso dá esperança. Peço que não caiamos no maniqueísmo a "PM é minha inimiga". Nem eles no "tudo vagabundo". As coisas estão, repito, bem mais além disso.

Enfim, aqui fica nossa contribuição para além do mesmo, para além do preço.

À luta. Sempre.

sábado, 4 de maio de 2013

O Parafuso e a Rosca foram o Estopim!

Eis que de repente me aparece um compartilhamento no facebook mostrando uma rosca e um parafuso. Dizendo que a rosca e o parafuso se encaixam. Mas rosca com rosca e parafuso com parafuso não.

De ímpeto eu pensei: "é verdade, só esquecem que a rosca nem sempre precisa se encaixar no parafuso, nem o parafuso sempre na rosca".

Nem preciso dizer que a imagem tinha o condão de criticar as uniões homoafetivas (já chanceladas pelo Supremo Tribunal Federal) com esse texto de altíssima criticidade e análise social sobre as roscas e os parafusos da vida.

Mas não foi só isso que me levou a escrever este texto. Meses atrás critiquei a postura do Deputado Pastor Marco Feliciano (quem estiver com madeira ai perto, bata três vezes sempre que ler o nome desse ser) dizendo que ele não podia fazer uso da liberdade de expressão para gerar intolerância e vieram me perguntar se eu fazia uso da minha liberdade de expressão para gerar intolerância (?) contra o deputado.

Eu me senti vendo um nazista dizer: "você é intolerante comigo, só porque não tolero judeus". Há diferença? Não.

Não existe Direito ao Preconceito. Discurso de ódio não é liberdade de expressão!

Ao fundamentar a sua opinião preconceituosa na "liberdade de expressão" é um ato de covardia, falta de vergonha na cara e um crime contra todos os princípios humanos, sejam jurídicos ou não.

Para quem gosta de uma discussão "preto no branco", discutirei agora alguns pontos especificamente jurídicos.

Sempre alguém irá dizer: "O Art. 5º da CF não proíbe manifestação pública contra a homossexualidade. Se o fizesse, o movimento LGBT e aliados não estaria tentando aprovar o PL 122." 

Isso é uma inverdade. O PL 122 (que trata da criminalização da homofobia dentre inúmeros outros temas) existe para que esse pensamento acima pare de existir: Como se a lei precisasse falar ponto por ponto os direitos previstos. É como dizer: "a mulher antes de 2006 não merecia maior defesa porque não existia a Lei Maria da Penha". Come on!!!

E é uma inverdade porque a carta magna brasileira de 05 de outubro de 1988 DEVE ser analisada pelo prisma dos princípios gerais de direito e sob os fundamentos da República preconizados no art. 1º. Principalmente quanto ao inciso III: Dignidade da Pessoa Humana.

Nesse mesmo sentido, necessário lembrar aos constitucionalistas de plantão (coisa que não sou! Apenas estudei um pouco e muito pouco) que a Constituição tem 250 artigos (não necessariamente 250). Se quiserem debater constitucionalidades é necessário um conhecimento amplo e não só do art. 5º, por mais que seja o mais importante quanto aos direitos fundamentais.

Portanto, não há direito ao preconceito racial e sexual com base nas intenções da carta magna e dos princípios basilares da república, Art. 1º, III, como já citado.

Vamos além. Os OBJETIVOS FUNDAMENTAIS da República: 

art. 3º, I: "Construir uma sociedade livre, justa e solidária. 

Art. 3º, IV, Promover o bem de todos, SEM PRECONCEITOS DE ORIGEM, RAÇA, SEXO, COR, IDADE E QUAISQUER outras formas de discriminação". 

Alguma dúvida que as falas do pastor são inconstitucionais e não merecem respaldo jurídico? "QUAISQUER OUTRAS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO"

Por fim, PRINCÍPIOS DA REPÚBLICA no art. 4º, II: Prevalência dos Direitos Humanos. Enfim, a CRFB não tem só o art. 5º. Leia mais.

Ademais meus caros, em um Estado que quer ser Democrático de Direito, a Bíblia deve ser respeitada como todo e qualquer outro livro religioso, como toda e qualquer religião e sempre colocada no seu devido lugar: abaixo da Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 05 de outubro de 1988.

Argumentação preconceituosa baseada na Bíblia deve ser rechaçada porque qualquer pessoa crítica, conhecedora mínima da história sabe que a hermenêutica do texto "seco" é, no mínimo, imbecilidade. Até vontade de debater isso me falta.

Quanto aos que dizem: "a lei que criminaliza a homofobia está criando um super cidadão", a esses eu deixo o meu sono e ronco como resposta.