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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Forjando e Criticando a Revolução

        Virou moda.
        Não foi ser revolucionário que virou (por mais que tenha mesmo), porque isso eu não critico. A crítica aqui são os meios usados.
   
     Recentemente rolou na rede social "Facebook" uma imagem com a seguinte frase: "Leu o primeiro capítulo do 'Manifesto Comunista' e já quer fazer revolução". É uma piada de apenas um programa sensacionalista daqueles que a galera ver quando nada tem para fazer e me dá a impressão que nunca têm o que fazer mesmo.
     
      Pois bem, essa frase me despertou para discutir uma questão que vem me chamando a atenção há algum tempo: trata-se da questão de alguns colegas e/ou amigos que fazem parte do movimento estudantil, de movimentos sociais de modo geral e têm uma postura para alguns temas que me preocupam.
     
      No verão de pirangi, existe o "kit bêbo" que se compra no bar "Comeu Morreu", nos movimentos sociais existe o "meio" para ser MESMO do movimento, sem generalizações, o "kit" é: você deve ser apartidário, caso contrário sua luta está eivada pelos mandamentos do partido e pela defesa cega de uma ideologia, pessoa, caso etc e deve ser ateu!

     Para a maioria dos bons companheiros de luta que tenho (ou camaradas, colegas, parceiros etc, para não dizer que estou sendo tendencioso), ser filiado sua atuação no campo político porque partido remete à ideia de corrupção, porque "partido algum me representa" etc. Eu pergunto: eu posso querer ser representado por um partido? Você tem certeza que é melhor que eu porque não é filiado? Quantos partidos internamente você conhece? Já participou de reunião da juventude de algum partido?

    Falo, nesse ponto, pelo PT: quem pensa que a gente se reúne para cantar parabéns para o Diretório Nacional, para o Presidente do PT, para a Presidente da República, está completamente enganado. Agora, nós temos um lado e quando o governo ou o partido é atacado injustamente, estamos lá para defender. Só isso.

     Quanto ao termo apartidário, algumas considerações. Tenho preconceito. Morro de preconceito com o termo. Aliás, palavras que começam com prefixo de negação "a" me enojam. Gosto do que é positivo, do que é para a frente, do que constrói criticamente e não o que destrói por destruir.

      Além disso, com todo respeito, acho engraçado o termo e como ele se coloca nos movimentos: "Reunião do Comitê Apartidário", "Encontro blá blá blá". Meus caros, quando vários apartidários, por exemplo, reúnem-se estão indiretamente criando um partido, olha só que legal: "Partido dos Apartidários".

    O "Partido do Apartidários" tem ideologia própria (que é não tê-la = impossível), tem líder próprio (horizontalidade também tem liderança, horizontalidade não é anarquia e nem anarquia significa não ter um norte, uma liderança, um coordenador, um orientador), tem defensores (eita, o PT, PCdoB, DEM, PSDB etc também têm defensores).

      Preciso ressaltar algo: NÃO estou criticando o fato de alguém se afirmar apartidário! ESTOU criticando o fato de muitos apartidários olharem com um olhar segregador a quem tomou a iniciativa de se filiar! É a prova de que ser apartidário nem sempre é ser mais democrático!

      A mensagem final, nesse ponto do texto é: as coisas ruins devem ser destruídas de dentro pra fora, jamais de fora pra dentro. É o que defendo até a morte.

      Mas o "Kit Movimento Social" continua. Você deve ser ateu!

    Não vou entrar no mérito da existência de Deus, da beleza da Igreja Católica, nos crimes da Igreja Católica, na repulsa que tenho a determinados seguimentos evangélicos reacionários e criminosos, mas sim no fato de alguém apenas "crer".

     Hoje no Facebook vi novamente um compartilhamento: "Se o Senhor é teu pastor: 10% te faltará". Eu fico me perguntando e analisando: conheço tantos religiosos de respeito, defensores do movimento social e atuantes, conheço tantos amigos/colegas evangélicos, católicos, espíritas etc mais atuantes, às vezes da maneira que pode, que alguns "ateus e apartidários mestres de la revolucion".

    Meus caros, é difícil entender que ao se fazer afirmações ou pensar categoricamente que religião, fé, crença etc não coadunam com o movimento ou não coadunam com inteligência (sim, é isso mesmo que  você pensa) você está na verdade cometendo o mesmo erro que critica nas religiões: VOCÊ ESTÁ SENDO FUNDAMENTALISTA!

     O que é ser fundamentalista, o que é ser radical? É afirmar que minha religião está correta e a sua está errado e você deve desaparecer! E o que a galera faz, sem generalizações mais uma vez, sou inteligente, sou crítico, sou foda e você é ignorante demais porque segue uma crença, defende-a e dá 'dinheiro' para ela, logo você é um câncer e precisa ser extirpado. (!)

      No mais, creio que a tolerância, o mínimo de respeito deve prevalecer e os "mestres de la revolucion" devem atentar para a hipocrisia  e incongruência de alguns de seus atos para não incorrerem nos mesmos erros que costumam criticar.

      Não, eu não sou santo, às vezes cometi e pensei (ou penso) algo assim, mas a minha razão deve prevalecer, quando deve mesmo, sob a emoção, é o que tento fazer e é o que defendo.