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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

As Elites

Assisti ao filme “Tropa de Elite 2” três vezes. Fiquei fascinado e preocupado.
Sim, preocupado com os aplausos. Preocupado com as 3 ou 4 vezes que o filme despertou a necessidade coletiva do público presente para aplaudir o filme. Preocupado com o herói do filme. Preocupado com o nosso futuro.
Não é de hoje que o brasileiro precisa de heróis. O Capitão (agora Tenente-coronel) Nascimento é a representação, pelo sucesso e rasgados elogios ao filme (ai me incluo), do herói que gostamos e precisamos [?].
O mesmo fator de salvação social que foi jogada na Lei da Ficha Limpa, algo relatado no texto anterior, ocorreu de certa forma com o filme, especificamente com algumas cenas do filme. As idéia que me ocorreram quando vi as reações dos espectadores é que nosso povo quer sempre uma solução alheia a si mesmo. Nosso povo precisa que alguém vá lá, faça o que tem que ser feito, dito e que ele mesmo nada precise fazer.
Todos adoraram as atitudes do "Coronel Nascimento" ao "abrir a boca" sobre toda a sujeira, assim como surrar o deputado. Afinal, são ações que todos nós gostaríamos de fazer. E por que não fazemos? Não digo surrar alguém, digo agir dessa forma ou ao menos querendo agir dessa forma!
Nada mais interessante esse conflito no Rio de Janeiro após o lançamento do filme. A população de modo geral está colocando total esperança nas ações POLICIAIS para resolver o problema do tráfico no Rio, e porque não dizer no país. No entanto, caríssimos, o próprio filme "Tropa de Elite 2" mostra que o correto não é isso! No entanto, essa mensagem parece que foi passada e ao mesmo tempo não foi, porque fizemos um real "Tropa de Elite 3".
As ações de segurança pública devem se pautadas pela racionalidade, jamais pela emoção de ir lá, derrubar vagabundo (e não são só os vagabundos que são derrubados) e pronto! Isso é atacar a consequência e não a causa!
Mas Emanuell, você é contra mesmo as ações lá feitas? NUNCA. Sou plenamente a favor. O que defendo aqui é que não pode parar ali. A dotação da comunidade de TODA infra-estrutura necessária para uma vida digna se faz necessária. Isso sim é atacar a causa.
O povo de bala já não precisa mais porque isso era e ainda será visto por muito tempo diariamente. O que o povo precisa é de exemplo. Exemplo do Congresso, da Câmara do Rio, da Assembléia do Rio. Precisa que esse exemplo venha da escola pública de qualidade da redondeza. Precisa que venha do trabalho correto e respeitoso do médico da UPA da esquina. Precisa que venha do trabalho digno e justo dos policiais da UPP da outra esquina.
Desse modo, ai sim, estaremos completando o que foi iniciado dia 25 de novembro de 2010! Invadido está, e devo dizer, o mais fácil que foi feito. Agora o Governo do Rio, na pessoa do Governador Sérgio Cabral, deverá mostrar que sabe realmente enfrentar o problema, haja vista que o problema é de base, é de sustentação social.
Após relatar Tropa 2 e Tropa 3. Não posso deixar de falar na pior Tropa. A tropa da elite que fica lá no pé do morro. A elite que realmente mantém aquilo tudo lá em cima. A elite que se mantém dos votos da comunidade pobre (Tropa 2 prova isso), a elite que mantém seu estoque de drogas pela produção lá de cima. Quando esses vagabundos serão derrubados? O professor no filme Tropa 2 pergunta: "quando o caveirão vai entrar em um condomínio de luxo?". Repito a pergunta, ressalvando que é uma metáfora.
Você pode me perguntar: "você falou que o problema está na (falta de) Educação. Mas a  elite lá de baixo teve educação e por que o alto consumo de drogas?"
Minha resposta, caro leitos que até aqui chegaram só pode ser uma: essas pessoas sofreram com a "educação do conhecimento" e não a "educação da cidadania". O problema ai já é outro, está inserido na própria fundamentação da educação aplicada.
Acho que consegui dizer que o problema é muito maior, mas muito maior mesmo, tão grande que aqui não cabe..